cookiesEspecialista explica como isso acontece e quais são os malefícios que esse ciclo pode causar ao organismo

“Depois de comer um doce, tenho sempre vontade de comer mais um”. Esta queixa, bastante relatada por pessoas que estão em dieta, não é apenas gula ou falta de força de vontade. Como os alimentos ricos em carboidrato oferecem sensação de bem-estar, a área do cérebro chamada de “área de recompensa” também é ativada quando consumimos esse tipo de alimento. “As pesquisas têm mostrado que o consumo de alimentos com alto índice glicêmico estimula diretamente o hipotálamo, fazendo com que aconteça um aumento da fome nas horas seguintes à ingestão”, explica a endocrinologista Andressa Heimbecher. Esse ciclo vicioso acaba por prejudicar não apenas a dieta de quem precisa emagrecer, mas também de quem já ; está dentro do peso.

E não são apenas os alimentos que podem prejudicar a saúde. Qualquer tipo de doce pode desencadear o processo, inclusive as bebidas. Por isso, os refrigerantes também são vilões para a saúde, pois além de ter alto valor calórico, elevar o peso e aumentar o risco de osteoporose, dão vontade de comer mais doces. “Sabe-se que, hoje em dia, o consumo de refrigerantes é um dos principais contribuintes para a epidemia de obesidade”, ressalta.

Segundo a especialista, não adianta querer “enganar” o organismo consumindo refrigerantes diet (ou zero) e outras bebidas adoçadas artificialmente, pois elas são responsáveis pelo aumento do risco de várias doenças crônicas, como aumento de peso, síndrome metabólica, diabetes tipo 2, doença cardiovascular e pressão alta. “Estudos mostram evidências de que pessoas que trocaram as bebidas normais pelas diet não regularizaram os níveis de glicose no sangue, diferente daquelas que substituíram o refrigerante normal por água”, alerta a especialista.

Confusão no organismo – Andressa afirma que isso acontece porque as bebidas artificialmente adoçadas interferem nas respostas normais do organismo. “O consumo constante de bebidas artificialmente adoçadas confunde a habilidade natural do organismo de controlar o consumo de calorias, baseado no sabor doce. O corpo regula a fome reunindo informações sobre o sabor doce do alimento e seu valor calórico. Como o sabor não vem acompanhado de calorias existe um efeito rebote que determina mais fome e mais vontade de consumir esses alimentos”.

A médica cita estudos que compararam, por meio de ressonância magnética, pessoas que beberam água adoçada com açúcar e com sucralose (adoçante). “Os que beberam água com açúcar ativaram mais a área de recompensa do que os que beberam com sucralose. Isso pode explicar porque, em tese, quem ingere muito adoçante tende também a comer mais doces. Afinal, a área de recompensa não fica totalmente ‘recompensada’ com o adoçante. Quem ingere açúcar tem mais vontade de ingerir açúcar, criando um ciclo vicioso”.

Ela alerta que até mesmo aqueles sucos destinados ao público infantil – que em tese seriam mais saudáveis – possuem altos índices de carboidratos. “É preciso avaliar atentamente os rótulos, cortar os refrigerantes normais e evitar ao máximo os zero ou diet para manter a saúde em dia”.

*Referências:
1) Trends Endocrinol Metab. 2013 Jul 3. pii: S1043-2760(13)00087-8. doi: 10.1016/j.tem.2013.05.005. [Epub ahead of print]
Artificial sweeteners produce the counterintuitive effect of inducing metabolic derangements.
2) Altered processing of sweet taste in the brain of diet soda drinkers
Erin Green, Claire Murphy

Artigo publicado na Runner’s World Brasil

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